Grãos de TI
De mim só restam pedaços por contar, pequenos fragmentos que ninguém quer saber.
Desisti de te encontrar, porque a força que me resta é somente a que tenho para me erguer.
Caminho neste areal, contando cada grãozinho que piso, como se fosse um milhão de mim, perguntando-me se entre esse milhão, existiria um milhar de ti… Um milhar de esperança, de amor verdadeiro para dar, do resto de uma vida para viver, do resto do que resta de mim…
Sinto as ondas desfazerem-se a meus pés, levando com elas as lágrimas que me caiem do rosto, as ultimas de tantas ultimas que tentei não chorar. Porque não sei estar assim, não consigo respirar, nem me erguer, nem sentir, nem pensar… Nem mesmo sofrer…
Sinto-me amorfo, vazio… de um tamanho vazio amorfo…
E é aqui, neste areal de milhões de mim, na possibilidade de ter um milhar de ti, que vim derramar o meu sofrimento, desabafar a minha solidão nas ondas do mar.
E é neste atropelo, nesta luta constante que travo em mim, que finalmente descubro que neste areal não existes em milhares de ti, existes num abraço de tudo em mim…
Numa imagem que me invadiu, num sentimento que não mais perdi, vi o amor estampado num beijo, a ternura irradiando num abraço…
Neste areal com tudo de ti, meus pequenos grãozinhos de mim, sentiram que és tudo de tudo o que eu quero para mim…
Nesse gesto profundo de amor, nesse momento fugaz tornado eterno, entre ti e tudo de ti, faz-me sentir que és tudo, sem palavras, sem saberes, mas com tanto que tenho medo de to revelar, com medo que fujas de tudo o que tenho em ti…
Depois do areal, procurei-te no segredo das salas, revelar-to no silêncio de um olhar, nas palavras silenciosas entre aquelas que se fazem ouvir.
Sentir-te em dias cansados foi força que me fez erguer, trocar palavras de desabafo foi vontade de sair e de te procurar… Vontade que ficou, porque existe esta barreira que nos afasta, que separa o imenso areal de ti, dos pequenos grãozinhos em mim…
Mas o tempo está a esgotar, e a areia na ampulheta do final a contar e eu quero-te dizer…
Dizer que naquele areal onde abraçavas tudo de ti, foram por momentos tudo em mim, que me fizeram olhar-te, sentir-te em cada gesto formal, procurar em cada palavra, talvez um mesmo sentimento, tentar descobrir se teu coração batia ao mesmo ritmo que o meu, fez-me procurar o teu olhar e deixa-lo falar. Dizer-te que posso ser o amparo dos teus dias, e tu o milhar de grãozinhos de areia, o milhar de esperança e do resto dos dias felizes que esperas, que espero…
Agora, caminho nesta praia, olho o horizonte na esperança que me entendas, que não me confundas com um passado qualquer, e que da próxima vez que aqui caminhe, te (vos) tenha a meu lado…
Desisti de te encontrar, porque a força que me resta é somente a que tenho para me erguer.
Caminho neste areal, contando cada grãozinho que piso, como se fosse um milhão de mim, perguntando-me se entre esse milhão, existiria um milhar de ti… Um milhar de esperança, de amor verdadeiro para dar, do resto de uma vida para viver, do resto do que resta de mim…
Sinto as ondas desfazerem-se a meus pés, levando com elas as lágrimas que me caiem do rosto, as ultimas de tantas ultimas que tentei não chorar. Porque não sei estar assim, não consigo respirar, nem me erguer, nem sentir, nem pensar… Nem mesmo sofrer…
Sinto-me amorfo, vazio… de um tamanho vazio amorfo…
E é aqui, neste areal de milhões de mim, na possibilidade de ter um milhar de ti, que vim derramar o meu sofrimento, desabafar a minha solidão nas ondas do mar.
E é neste atropelo, nesta luta constante que travo em mim, que finalmente descubro que neste areal não existes em milhares de ti, existes num abraço de tudo em mim…
Numa imagem que me invadiu, num sentimento que não mais perdi, vi o amor estampado num beijo, a ternura irradiando num abraço…
Neste areal com tudo de ti, meus pequenos grãozinhos de mim, sentiram que és tudo de tudo o que eu quero para mim…
Nesse gesto profundo de amor, nesse momento fugaz tornado eterno, entre ti e tudo de ti, faz-me sentir que és tudo, sem palavras, sem saberes, mas com tanto que tenho medo de to revelar, com medo que fujas de tudo o que tenho em ti…
Depois do areal, procurei-te no segredo das salas, revelar-to no silêncio de um olhar, nas palavras silenciosas entre aquelas que se fazem ouvir.
Sentir-te em dias cansados foi força que me fez erguer, trocar palavras de desabafo foi vontade de sair e de te procurar… Vontade que ficou, porque existe esta barreira que nos afasta, que separa o imenso areal de ti, dos pequenos grãozinhos em mim…
Mas o tempo está a esgotar, e a areia na ampulheta do final a contar e eu quero-te dizer…
Dizer que naquele areal onde abraçavas tudo de ti, foram por momentos tudo em mim, que me fizeram olhar-te, sentir-te em cada gesto formal, procurar em cada palavra, talvez um mesmo sentimento, tentar descobrir se teu coração batia ao mesmo ritmo que o meu, fez-me procurar o teu olhar e deixa-lo falar. Dizer-te que posso ser o amparo dos teus dias, e tu o milhar de grãozinhos de areia, o milhar de esperança e do resto dos dias felizes que esperas, que espero…
Agora, caminho nesta praia, olho o horizonte na esperança que me entendas, que não me confundas com um passado qualquer, e que da próxima vez que aqui caminhe, te (vos) tenha a meu lado…
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