Olho para o chão para esconder a tristeza em meu rosto, dito as minhas palavras para as pedras da calçada, caminho no sentido inverso sem esperança de alguma vez chegar… E numa alucinação digna da minha loucura, sinto-te nas cordas do meu violino, no paladar do meu sangue, nos gestos de um suicídio que teima em persistir… Meus dias são contados para trás, cada minuto, segundo sem interesse copiados em papel vegetal, meu tempo se esgota e fica mais próximo do dia em que jamais te terei, perdido num olhar sobre o canal, num eco do silêncio da minha voz, nos sussurros de uma baleia… A lua é a mais fiel das testemunhas, minha companheira nas negras noites que me banham em vagas de solidão, é nela que o meu olhar se prende e gira em volta do fim da linha… Em mim só o coração bate, ainda que perdido pelo chão, coberto pelo pó que o tempo vai fazendo cair. Falta-lhe o que lhe roubaste, falta-lhe a vitalidade, a força, o amor, falto-lhe eu… E nos meus gestos heróicos, nas minhas loucuras desme...