Desgosto


Olho para o chão para esconder a tristeza em meu rosto, dito as minhas palavras para as pedras da calçada, caminho no sentido inverso sem esperança de alguma vez chegar… E numa alucinação digna da minha loucura, sinto-te nas cordas do meu violino, no paladar do meu sangue, nos gestos de um suicídio que teima em persistir…
Meus dias são contados para trás, cada minuto, segundo sem interesse copiados em papel vegetal, meu tempo se esgota e fica mais próximo do dia em que jamais te terei, perdido num olhar sobre o canal, num eco do silêncio da minha voz, nos sussurros de uma baleia…
A lua é a mais fiel das testemunhas, minha companheira nas negras noites que me banham em vagas de solidão, é nela que o meu olhar se prende e gira em volta do fim da linha…
Em mim só o coração bate, ainda que perdido pelo chão, coberto pelo pó que o tempo vai fazendo cair. Falta-lhe o que lhe roubaste, falta-lhe a vitalidade, a força, o amor, falto-lhe eu…
E nos meus gestos heróicos, nas minhas loucuras desmesuradas se vê um reflexo da minha indiferença perante a vida, porque já pouco importa se a manha vê nascer um lindo dia se a noite vem com um belo por do sol, pois já nada importa se a metade que me falta é contigo que se encontra…

Comentários

Meu querido amigo, faço das tuas palavras as minhas, mas alimento uma esperança desmedida de que um dia alcançarei o meu verdadeiro e grande amor e que aí me sentirei preenchida e pronta para navegar sem rumo mas bem acompanhada.
Sabes, já ando a juntar dinheiro para a minha viagem à India.
O meu sonho de viagem.
Beijo grande.

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