Espalhado pela cidade
Espalhei-me pela cidade… Na calçada polida por quem passa minha alma se derrama, na doce melodia do violino tocado por um pedinte meu ser se expande. Pelas ruas da cidade caminho procurando um sentido, procurando por ti… Fecho os olhos e tento distinguir a tua voz na voz da multidão que enche a avenida, sentir o teu cheiro no emaranhado de odores que invadem a praça, e tentar-te ver nesta minha escuridão, nesta minha cegueira que me extingue lentamente… Sinto falta do meu oxigénio, do meu ponto cardeal numa rosa-dos-ventos moribunda. Deixo-me invadir pelo som que o rio me trás, saber que do outro lado já acreditei e que hoje morri, esperar como sempre esperei neste cais embora saiba que já não volta, sentir o vazio de o sentir… Deambulo pela cidade, e no topo da torre de ferro olho alem, procuro sentir o que senti e choro por isso. Não travo as lágrimas, não acredito que haja quem as consiga travar, pois procuro por ti e não te consigo encontrar… Nas sombras que se reflectem no chão, n...