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Mostrando postagens de outubro, 2009

Em meu pensamento

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Toco-te com o meu pensamento, sinto tua pele em tons de seda, teu corpo como fogo. Deslizo meu ser pela tua amplitude, raiz da minha dependência. Deixo-me dominar por tão ardente desejo, sinto latejar minhas veias com a pressão do amor. O suor que me banha e desnuda a alma põe a nu a minha tão grande fragilidade. Fecho os olhos e sinto o teu respirar, teus lábios tocando no meu corpo, deslizam até sussurrar a fonte do meu delírio junto dos meus ouvidos. Nas minhas mãos sinto um mundo de fausta ostentação, acaricio cada vale, montanha, rio ou mar, meus dedos em ditosos momentos são meus guias, são minha perdição… Teu cheiro invade-me, cobre-me como um manto de pétalas. Aroma a néctar dos deuses, deixas-me ludibriado, desconcertado, como se tivesse entrado no céu seguindo tão singular perfume. Em meu pensamento, fazes parte do dia que acorda lá fora, do ritual de todos os minutos, das folhas das árvores caídas no chão, das pedras do passeio por onde se faz o meu caminho… Em meu pensament...

Gota a gota

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Gota a gota vai caindo, Toca meu rosto emergindo Minha alma como um mar Gota a gota vai molhando Até ao coração chegar Chuva que toca de mansinho Na terra que vais molhando Corre pelo meu corpo devagarinho Para minha alma ires lavando Leva contigo as recordações Os males que me fazem sofrer Leva-os a desaguar num mar Para bem perto de quem eu quero ver Chuva, chuvinha que me molha Que cais constante sem parar Já gostei de correr na rua e sentir Como é bom sentir-me molhar Correr de mão dada ao amor Sentir teu toque no rosto molhar Eram lindos os dias de chuva esses Que agora me fazem chorar Minhas lágrimas se confundem com tuas gotas Meu rancor se confunde com o trovejar Tempestade que me acolhe e me desfaz Num tempo maravilhoso que teima em não voltar Chuva que cais em bátega ou somente vapor Inunda-me numa corrente de alegria Acorda-me deste torpor Transformando minha noite em dia Deixa o sol brilhar por um instante Deixa-o minha alma aquecer Para voltarmos a dançar a dança louca De ...

Sopra o vento

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Sopra o vento vindo de norte, traz a saudade que bate em mim Vem nas ondas que se desfazem no areal, beija as flores do jardim Ao por do sol me entrego, para na noite me perder Reencarno na neblina matinal até o dia chegar ao fim… Minha voz no grito surdo de um Garajau, denuncia o meu cárcere Minha alma perdida num encanto, num pranto se desfaz Das entranhas da terra, cheiro a enxofre, regurgitam lágrimas Voo rasante, por entre velas e mastros, subo montes, abraço o mar Bate a saudade no rosto das gentes, dos lugares de areias negras Das palavras ditas nas ruas e vielas, nos olhares perdidos de um sonho Sopra o vento e traz o som de um oceano repleto de criaturas O sabor molhado de uma chuvada imprevista, de um calor que abafa De uma visão divina da montanha ao mar… Quem me dera lá estar!!! E nas lembranças que me agarram como uma ancora ao fundo Ainda sinto a voz, o corpo, a alma, o cheiro, o toque, a vida… Ainda sinto o que senti, em terras da minha ilusão Lamento...

365 Dias

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Os dias foram passando e do canal somente a neblina matinal. Nem o chapéu da montanha anunciando grandes chuvadas, nem o bater das ondas no negro das entranhas, nem a rotina que leva os homens ao mar… Nada!!! Nem uma voz do outro lado a dizer que se lembra, que sente, que vive. Nem um cheiro a terra molhada regada pelo verdelho, inundada de um verde imaculado. Trezentos e sessenta e cinco dias passaram, cada um deles contados ao toque da angústia, sentidos á deriva, ao passo lento como quem não tem para onde ir. Dias passados na sombra da desilusão, a sentir a brisa secar o rosto das lágrimas, a contar cada passo dado junto ao rio, no imenso areal, em flocos de neve, nos trilhos da montanha…Sentir o silêncio que o tempo me traz por me ter levado a voz, aquela voz que me segredava ao ouvido promessas e vontades sem fim, aquela voz que me acordava pela manhã e me levava a voar por entre as nuvens, a navegar por esse mar…Aquela voz que me elevou para logo a seguir me destronar, me deixar ...