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Um Casamento do destino

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Estavas lá... E no momento que o meu olhar cruzou o teu, o mundo parou, como se a igreja estivesse vazia, como se o silencio tivesse caído na terra, e calado toda a gente, todos os sons do mundo… Só Tu… Estavas maravilhosa, como sempre, como desde o primeiro dia, como em todos os meus sonhos, todas as imagens que guardo em mim, de Ti... Estavas lá... Junto ao altar, com aquele brilho no olhar cor de mel, que me encantou e me agarrou desde o primeiro dia que nossos olhos se cruzaram, e invadiram nossos corações, tornando-nos infinitamente eternos, um do outro... No chão de mármore, meus pés como que flutuam… Sinto cada passo como uma batida do coração… E a cada centímetro que vou ganhando nesta distancia que me separa de Ti, meus olhos teimam em não parar de te olhar… Cada vez mais perto, e cada vez mais certo de que estou perante uma visão divina, que brilha no altar como um sol, uma estrela que me guia, que me conforta, que me faz pulsar o coração louco de amor... Estavas lá… Como e...

Para além do camião

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Faço-me à estrada, que me leva para além do horizonte… Cruzo montanhas, atravesso rios, sigo as estrelas, quilómetros à beira mar... Conheço meio mundo… Meia gente, e gente e meia… É esta a vida que o destino me reservou… O camião como guarida, o mundo como porto de abrigo, a solidão como companhia… Mas sou feliz, e isso ninguém me tira… Mas no meio dessa felicidade existe um vazio… Esse tem o teu nome gravado no meu coração… É nele que penso sempre que uma subida se revela tão penosa, quando o frio de inverno aperta e quase me estala os ossos… És Tu a força que me faz ultrapassar todos os obstáculos, que me faz voltar a cada jorna ao outro lado do mundo… Por Ti existo, sou mais um entre tantos, que anónimos, nos vamos cruzando por essas estradas sem fim… Porque ao fim de cada jornada de um motorista, existe sempre alguém em casa aguardando a nossa chegada, e por mim és Tu… Prometo-Te nunca falhar, porque esse teu abraço é tão profundo e eloquente, que me faz querer voltar, mesmo sem a...

O meu numero...

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Sou um numero...  Um numero como tantos outros, com a sua importância, significado, com o seu valor... Sei que sou muito mais que isso, mas para todos os efeitos, sou só mais um numero...  Mais um de tantos outros, que se soma ou subtrai conforme a conveniência, que se multiplica quando mais ninguém quer, que se divide quando inconveniente...  Mais um numero para engordar uma escala, para fazer de "bonitinho" em dias de festa, para "inglês" ver, para mostrar que somos muitos. .. Sou um numero, um mero numero no meio de tantos, que de valor nada temos junto daqueles que se julgam acima de qualquer numero... Assim pensam... Também eles são números, mas olham-nos como se de zeros à esquerda valêssemos, sem perceberem que sem nós, os zeros seriam eles... Sei que sou mais que um mero numero, mas no meio de tantos sou só mais um... Mais um, porque não concordo em ser tratado como um numero, não vivo vergado para agradar e me ajustar a uma outra conta qualquer... É triste ...

Tudo queima...

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Tudo queima, o chão, as pedras, até as palavras ditas de bocas em aflição… Tudo queima, a minha pele por sentir arder tão perto, a minha alma por ver arder a minha terra, o meu “chão”… Tudo queima… Não espero por ninguém porque todos fogem… Só eu e a minha equipa, e o demónio… Abraço esta angústia dentro de mim e revolto-me… Nada me resta senão agua, aquela que sacia, aquela que jorra, aquela que purifica e que refresca a alma… É com ela que combato, que finjo tornar-me herói quando dentro de mim é o medo que impera… É o meu balsamo, o meu refúgio neste inferno de chamas que me ardem nos pés… Tudo queima… O tempo que não tive para Ti meu filho porque andei algures “espalhado” pelo monte a combater incêndios… A praia que não fiz porque quando tudo acalmou já era inverno… As noites que não dormi porque teimoso lá ia ansioso dentro do “vermelhão,” a caminho de sei lá do quê, sem saber quando voltar… Tudo queima enquanto a cidade dorme, enquanto se fala de futebol...

Queria...

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Eu queria… Queria tanto abraçar o mar, e deixar por lá todas as minhas angústias e revoltas, e voltar para abraçar a vida desafiando novos medos… Queria ver o mundo através do meu coração, gritar bem alto os desaforos da minha alma até o folego me faltar, até a verdade esgotar… Queria ter-te junto a mim do princípio ao fim, porque assim não faz sentido, nada faz sentido quando tudo fica a meio, incompleto, dividido… Queria poder resgatar-te do céu, para me aconchegar no teu colo, e sentir a tua mão a passar pelo meu cabelo, e chorar-te as minhas mágoas, como no passado distante… Queria voltar atrás, talvez ao princípio de tudo, para viver de novo o que ficou por viver… Queria voltar a cruzar a ponte em dias de nevoeiro, viajar pelas planícies em busca de aventura, correr pelo monte com pistolas de pau, atrás de cowboys imaginários… Queria tanto abraçar-te… E com isso dar-te novo folego, nova vida, um coração mais forte, um novo sorriso… Queria jurar o quanto amo t...

Em Frente... Marche!

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ATENÇÃO! FIRME! Em frente… Marche! É em frente o caminho, sem saber para onde, sem saber porquê… Simplesmente uma voz nos guia, levando-nos por caminhos cada vez mais tortuosos, numa cadencia cada vez mais improvável… Já não é o orgulho que nos move, talvez uma réstia disso ainda sobreviva no coração de cada um de nós, mas já não é o orgulho de outros tempos… Um orgulho que nos fazia vestir a farda todos os dias como se fosse a primeira vez, que nos arrancava da cama ao frio e á chuva, que não nos deixava olhar o relógio a contar o tempo, porque salvar nunca foi tempo perdido… Um orgulho que nos levava a olhar nos olhos dos mais velhos com reconhecimento, num abraço de alma para que soubessem que a missão estava bem entregue, que todos os valores transmitidos nunca seriam esquecidos… Em frente vamos marchando como que perdidos, tendo como única referencia o alarme que toca, despoletando em nós o instinto mais primário que um Bombeiro pode ter, nunca olhando para trás, ...

Minha Terra

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É do mar que vem este cheiro, é da serra que vem este vento, mas é da Terra que vem esta minha forma de ser… Da Terra onde o céu se transforma em fogo a cada por do sol, em que a brisa vem salpicada com pedacinhos de maresia, em que a floresta parece cantar… Tem aroma a pólen das flores que inundam a floresta, o som dos ventos a beijar as copas das árvores, a açoitar a velas dos moinhos … Tem manhãs de nevoeiro, dias de chuva, mas tem um sol gigante que nos aquece a alma e nos liberta quando o verão nos vem visitar… É a meio da semana que a minha Terra se torna rainha, que pulsa de gentes vindas de outras tantas terras, para sentirem os cheiros que inundam as ruas ao som de pregões perdidos no ar, para encherem alcofas, comerem frutas, ouvirem musicas… Fazem trocas de coisas, de olhares, de conversas faladas em voz alta, animando o mercado, a alma da minha Terra… Tem história num campo de malvas, onde reis e senhores vinham caçar, tem a magia na força do trabalho das minhas...