Tudo queima...

Tudo queima, o chão, as pedras, até as palavras ditas de bocas em aflição…

Tudo queima, a minha pele por sentir arder tão perto, a minha alma por ver arder a minha terra, o meu “chão”…
Tudo queima…
Não espero por ninguém porque todos fogem… Só eu e a minha equipa, e o demónio…
Abraço esta angústia dentro de mim e revolto-me…
Nada me resta senão agua, aquela que sacia, aquela que jorra, aquela que purifica e que refresca a alma…
É com ela que combato, que finjo tornar-me herói quando dentro de mim é o medo que impera… É o meu balsamo, o meu refúgio neste inferno de chamas que me ardem nos pés…
Tudo queima…
O tempo que não tive para Ti meu filho porque andei algures “espalhado” pelo monte a combater incêndios…
A praia que não fiz porque quando tudo acalmou já era inverno…
As noites que não dormi porque teimoso lá ia ansioso dentro do “vermelhão,” a caminho de sei lá do quê, sem saber quando voltar…
Tudo queima enquanto a cidade dorme, enquanto se fala de futebol, se discute a política, se disfruta de um belo dia de praia, se delicia com um sorriso de criança…
Tudo queima, enquanto eu e Tu meu Companheiro tivermos duvidas que nascemos para isto, para deixarmos tudo para trás e partir, ao som do alarme, sei lá para onde, sem saber se vamos voltar… 

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