Baú
Subi ao sótão, pé ante pé, como se o chão se fosse partir, como se o desabar do mundo fosse eminente… Subi na escuridão de um mundo esquecido, arrumado num canto com cheiro a bafio… Meus olhos na ponta das mãos, meu coração aos pés por ter cedido á saudade, por ter quebrado á tentação… Proibi-me de aqui voltar, de procurar o tempo que já passou, buscar recordações transformadas em pó, escondidas num baú na esperança que o esquecimento as leve… Mas as minhas mãos já vão abrindo o que memoria quer esquecer, meus olhos brilham, meu coração vacila, viajando para alem de tudo o que fui, de tudo o que vivi… Um oceano imenso mergulha em mim, fascínio e deslumbramento, na mais fantástica das aventuras, onde fui rei e senhor, não dos sete mares, mas do mar que abracei, que beijei e amei… Montanhas crepitantes, de trilhos imensos, tendo o céu como o topo e as nuvens como um tapete de algodão imenso estendido aos nossos pés, transformado em fogo num por do sol sublime… Vulcões adormecidos de pé, ...