Queria...

Eu queria…
Queria tanto abraçar o mar, e deixar por lá todas as minhas angústias e revoltas, e voltar para abraçar a vida desafiando novos medos…

Queria ver o mundo através do meu coração, gritar bem alto os desaforos da minha alma até o folego me faltar, até a verdade esgotar…
Queria ter-te junto a mim do princípio ao fim, porque assim não faz sentido, nada faz sentido quando tudo fica a meio, incompleto, dividido…
Queria poder resgatar-te do céu, para me aconchegar no teu colo, e sentir a tua mão a passar pelo meu cabelo, e chorar-te as minhas mágoas, como no passado distante…
Queria voltar atrás, talvez ao princípio de tudo, para viver de novo o que ficou por viver…
Queria voltar a cruzar a ponte em dias de nevoeiro, viajar pelas planícies em busca de aventura, correr pelo monte com pistolas de pau, atrás de cowboys imaginários…
Queria tanto abraçar-te…
E com isso dar-te novo folego, nova vida, um coração mais forte, um novo sorriso…
Queria jurar o quanto amo tudo o que me rodeia, sem sentir que estou enganado, com a certeza de que não estou enganado outra vez…
Queria muito abrir o meu coração e deixar-te entrar, escancarar-te um mundo que é o meu para que finalmente o entendas e aceites…
Queria voltar a cruzar o oceano, sentir o sabor do sal colado nos lábios, a maresia a invadir os pulmões, nadar, nadar e nadar, contra a corrente, ao sabor das ondas, ao meu encontro…
Queria tanto voltar a sentir fé, olhar o céu sem medo da chuva, sentir o vento a bater no rosto sem fechar os olhos…
Queria…

Queria voltar a ser eu, sem medo de o ser…

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