Sopra o vento


Sopra o vento vindo de norte, traz a saudade que bate em mim
Vem nas ondas que se desfazem no areal, beija as flores do jardim
Ao por do sol me entrego, para na noite me perder
Reencarno na neblina matinal até o dia chegar ao fim…
Minha voz no grito surdo de um Garajau, denuncia o meu cárcere
Minha alma perdida num encanto, num pranto se desfaz
Das entranhas da terra, cheiro a enxofre, regurgitam lágrimas
Voo rasante, por entre velas e mastros, subo montes, abraço o mar
Bate a saudade no rosto das gentes, dos lugares de areias negras
Das palavras ditas nas ruas e vielas, nos olhares perdidos de um sonho

Sopra o vento e traz o som de um oceano repleto de criaturas
O sabor molhado de uma chuvada imprevista, de um calor que abafa
De uma visão divina da montanha ao mar… Quem me dera lá estar!!!
E nas lembranças que me agarram como uma ancora ao fundo
Ainda sinto a voz, o corpo, a alma, o cheiro, o toque, a vida…
Ainda sinto o que senti, em terras da minha ilusão
Lamento em silêncio, a ausência, a solidão

Sopra o vento vindo do mar, traz as ondas para me embalar
O sabor a maresia e o cheiro a flores e ao ar
Fecho os olhos para ver recordações que guardei em minha mente
Sinto a terra, o mar, o verde, a montanha
Sinto as vozes que cantam e dançam a chamarrita
Ilustrando a alma e o conteúdo de uma gente

Quero voltar a sentir, tocar de novo no que ficou para trás
Caminhar pelas ruas das cidades pequenas mas tão belas
Pelos montes, caldeiras e vulcões
Cantar de novo histórias do mar antigas
Sentir na alma o peso de se estar no paraíso…

Sopra o vento que vem do horizonte,
Vem bater em meu rosto de mansinho
Traz a saudade e paixão por uma terra
Traz o sabor de a sentir com carinho


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