Porque tanta dor???

Porque tapas o rosto Rafah? Porque não me dás as tuas mãos? Porque se calam as vozes que tanto falam mas que nada fazem e nós continuamos a ver pais e filhos a morrer Rafah??? Porque teus irmãos odeiam os meus, porque é tão difícil um abraço, um olhar? Dá-me as tuas mãos e mostra-me o teu mundo que eu te mostrarei o meu, conta-me as histórias do teu povo, diz-me porque nascestes aí num turbilhão de diferenças, numa linha desigual, numa fronteira do medo onde uma linha separa a vida da morte… Rafah, porque a terra foi prometida só a uns e aos outros não? Porque existem mártires quando os heróis são os outros Rafah??? Porque??? Explica-me porque eu também tenho dúvidas, porque também choro como tu, também ouço o barulho das bombas a explodir no meu quintal, porque nos noticiários também vejo criancinhas a morrer, tudo porque alguém um dia inventou uma história mal contada Rafah, que nos dividiu, e hoje sou obrigado a ver-te de longe porque supostamente és minha inimiga. Fala comigo Rafah, vem-me buscar e vamos correr pelas ruas, vamos gritar livres como o vento de mão dada, fingir que não mais existe uma faixa que te agonia, uma mentalidade que te oprime … Eu sei que é mais fácil para mim Rafah, porque vivo do lado de cá, mas não é por isso que não sinto a tua dor, porque a minha maior dor é ver-te longe, sentir-te com raiva de mim só porque estou aqui, só porque sou daqui. Não mais nos vamos conseguir olhar Rafah, enquanto não dermos valor ao que de mais valioso temos… a nossa Vida…
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