Contando os teus cabelos

Um, dois, três e conto os teus cabelos espalhados pela minha cama… Sei que quando tu leres estas minhas palavras, (isto se ainda te lembrares que eu alguma vez existi) vais perceber porque os deixei espalhados, porque sabia que o hoje iria existir. Assim conto, quatro, cinco, seis e cada um tem uma pequena história para contar, cada pedacinho das nossas longas noites sem dormir, faz lembrar as vezes que segredei baixinho ao teu ouvido enquanto dormias, recordar o teu respirar no silencio de teu sono… Sete, oito, nove e em cada cabelo deixado para trás, hoje faz-me sentir como fiquei tão pobre por não mais os poder tocar… Vais, (vão-me) chamar louco quando ao lerem estas minhas palavras , sentirem que só um lunático poderia passar o tempo a contar os teus cabelos, mas sou mesmo louco, lunático, pois se assim não fosse como teria eu conseguido amar-te??!!! Dez, onze, doze, e por detrás de cada numero que escrevo, não só o liquido da minha caneta será o única a verter neste pedaço de papel, minhas lágrimas se vão confundindo com o texto nas lembranças do teu cabelo, fazem-me recordar as noites de amor em que te sentia quente e menina, mulher e sadia, em que no puro estado de excitação era o teu cabelo que me tirava do serio, porque te amei pelas coisas mais simples, e não por um decote, não por uma só forma do teu corpo, não pela facilidade do prazer que me destes, mas porque o mundo começava em ti e terminava da mesma forma, não sem antes te amar como quem ama a própria vida… Treze, quatorze, quinze e mais recordações não param de fluir por entre as minhas mãos, espalhados pelos cobertores da minha cama onde te tive, em que me deixas-te, a mim e aos teus cabelos perdidos de ti mas que ainda são teus enquanto eu não………..
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