Preso a TI


Não fui eu que escolhi, não fui eu que procurei… Invadiste-me num simples olhar, e nessa troca instantânea, olhos nos olhos, entraste de rompante sem pedir licença, sem saberes em que terrenos pisavas, nem que mundo acabaste por conquistar…

Num beijo, num simples tocar de lábios, num longo e tão lento segundo, roubaste-me…

Levaste em ti, tanto de mim… Nos teus lábios me desfiz… Como gelo derreti… Como fogo me extingui…

Sem saber, sem querer, o teu caminho chocou com o meu… No meu corpo senti o calor do teu, o cheiro inebriante da tua pele… O teu respirar, em segredo, misturado com o meu…

Num momento, fizeste-me viver o melhor de todos os momentos, mas nele te diluíste…

Como se tivesse acordado de um sono profundo, como se tudo não tivesse passado de um sonho maravilhoso, como se tivesses sido somente fruto da minha imaginação…

Abri os olhos… Ainda o teu calor em mim, o cheiro da tua pele que me invade os pulmões, mas somente a minha respiração… Um lugar vazio a meu lado…

Levaste de mim a alma, um coração pobre mas palpitante… Roubaste-me o sonho, a ilusão…

Deixaste um corpo inerte, vago, oco… Deixaste-me preso a ti, como carcere na lua inóspita, como alma que vagueia, como brisa de vento…

Não fui eu que pedi, não fui eu que aceitei… Simplesmente vivi, senti e amei…

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