Vem de lá


Vem do mar o sussurro que me entra pela janela. Trás o cheiro a algas, o brilho das conchas e a canção das ondas.
Vem do horizonte a vontade de abraçar, a sombra de um veleiro solitário que se fez ao mar… São de lá as noites solitárias a olhar um céu cheio de estrelas, um pensamento vazio que beija de mansinho as águas do Tejo para no oceano desaguar…
Vem do mar a vontade de uma jura no promontório, de sentir a maresia no momento da união…
Vem de lá…
Sinto a saudade invadir cada célula do meu corpo, abraçar o vazio enorme que dorme a meu lado.
Do mar vem mais vontade de partir, ir em busca de uma mão cheia de nada, que a que encontro aqui vazia de tudo.
Uma mão que me sacie a alma, que me preencha os dias perdidos, que me leve de volta ao caminho de um sorriso fácil, de um carinho sincero, de um amor eterno…
Vem do mar a minha alma perdida, chega no vento norte que sopra de rajada, vem num parágrafo da angústia, para em meu corpo se enrolar e descansar… Vem magoada e triste depois da aventura, de se ter visto apaixonada por uma falsa sereia, por uma alucinação que se dissolveu na espuma das ondas…
Vêem do mar as palavras soltas, ditas num convés ao luar, numa noite em que o mundo se esgotou, a minha alma se perdeu e agora me encontrou, num sussurro que me entra pela janela.

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