Revolta

Chamei por ti, tu não me ouviste…
Nem imaginas as lágrimas que foram derramadas por isso, os corações estilhaçados que poderias ter evitado se me tivesses ouvido chamar por ti.
Teu nome foi evocado ao vento por todo o mundo, duras batalhas foram travadas para te defender, tens sido louvado acima da própria vida, amado como nunca ninguém amou, mas continuam a morrer crianças, continua-se a ouvir o som da guerra, dos gritos, das asfixias, dos mártires… Tudo em teu nome…
Demasiado cedo o mundo ficou condenado perante a tua sombra. Grandes obras foram construídas para te louvar, moveram-se montanhas para se limpar idealismos, formaram-se fronteiras para se semear fundamentalismos, a mentira abraçou o ódio, a fraqueza á cobardia, a hipocrisia á cegueira, tudo pela riqueza que ofereces aos mais poderosos condenando os fracos e humildes á reclusão que é a sua própria vida…
Porque a cor distingue a inteligência? Porque o materialismo impera sobre o amor?
Porque te chamo todas as noites e teimas em não me ouvir?
Nem imaginas a dor que causas por isso, a revolta que provocas em nossos corações por não ouvires as nossas preces, as duvidas, a incompreensão.
As palavras que os homens falam de ti, são ecos perdidos no tempo, não me fazem acreditar, são banhadas de tamanha hipocrisia que por vezes sinto revolta quando vejo alguém sacrificar-se em teu nome.
Que queres de nós? Não acredito que existas, mas se existes que queres tu de nós?
O mundo que temos é belo sim, mas de podridão escondida, esgotado pela força de uma crença ridícula, que fala de amor quando dá ódio, de compaixão quando tu próprio não perdoas… Porque errou Eva no paraíso? Porque temos nós de pagar pelos seus erros quando amamos a vida? Porque não nos deixas escolher o nosso próprio caminho?
Tens medo não é? Medo de perder a tua própria criação…
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