Na terra de um oleiro...

Em folhas de barro escrevemos promessas de amor, cada letra, cada palavra, na fiel esperança de um dia voltar para sentir que nas juras na terra de um oleiro, nosso destino se moldou e solidificou como argila em suas mãos, construindo o tempo, vergando o momento ao tempo que passa… Ao som da agua que move a nora, do vento que beija as velas do moinho, dos gritos alegres das crianças que brincam no parque, ao som do mundo em movimento me entreguei com a força da minha alma, senti acreditar que começara ali a minha vida. No reflexo de mim que sentia em ti brindamos ao que está escrito e que o tempo jamais apagará… Mas nesta minha pobreza, riqueza órfã de ti, descobri o maior dos sonhos de um homem, encontrei a verdadeira essência do amor. Por muitas voltas que o mundo dê, por mais que o cruzes em todos os sentidos, meus sentidos nunca te perderão, a cada onda que o mar te traz sentirei teu pulsar fazendo meu coração saltar e querer um dia voltar á terra de um oleiro e ler contigo os rascunhos queimados do tempo das primeiras horas de nós… Não mais acreditei que na possibilidade do impossível te vá encontrar, desvaneces-te no tempo, foges da felicidade como quem a procura roubando-me um sonho, executando-me como um pelotão executa um condenado. Em dias de forte nortada, sinto teus cabelos em meu rosto que o vento me traz, escuto o triste murmúrio de um lamento pela promessa quebrada, mas o que está escrito na terra de um oleiro não mente e o mundo continua a girar e o mar a banhar-me a alma em recordações que me afundam mais no teu universo. Sei que já não sou príncipe, nem herói de teus sonhos, que no próximo por do sol na ponta do promontório, aos pés de um farol não serei eu a fazer juras eternas de longo amor e dedicação, mas nas folhas de barro na terra de um oleiro, as tuas promessas e desejos continuam lá, vincando um sentimento, esculpindo na argila um amor que perdurará para alem de todo o sempre…
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