Neste meu silêncio escondi minhas lágrimas, procurei o sorriso sem encontrar, acreditar a cada manha no final de cada sono que seria o momento de sonhar. No chão que piso encontro a solidez única que sinto, aquela que um dia irá absorver a minha queda, abraçar-me na dor, enterrar-me na solidão… O tempo conta cada pedacinho de mim que se desfaz, dilui minha alma, apaga a minha história para que o mundo nunca saiba que existi, que amei o impossível, venerei o erro, o engano e que é isso que me mata a cada segundo que vai contando... Já estou farto de me perder no olhar, nas palavras ocas que me deixam cair sem mais me levantar, farto de sentir o que mais ninguém sente, de não sentir o reflexo e o tamanho das palavras … Sentir que tudo o que vivi desaguou num mar que só eu recordo e que mesmo assim até eu quero esquecer… Não foi sem querer, mas este silêncio veio para me esconder, para me aliviar, para respirar fundo na sombra de uma lágrima…
E num sonho, acordava a ouvir um respirar a meu lado, um corpo procurando o meu calor, uns olhos fechados, dormindo, escondendo um olhar profundo, um cabelo espalhado pela almofada desejoso por ser tocado pela brisa da manha, uma boca de onde nunca ouvira palavra, pronta a ser beijada… Num sonho, a imensidão de um amor deitara-se ali ao meu lado, no conforto da minha cama, procurando meu corpo como quem procura um porto de abrigo, adormecera simplesmente bela e nunca virtual… No meu sonho… Espero pela manhã, espero por acordar num dia real como quem desperta de um sonho assim, olhar para o lado e sentir que a vida vale a pena quando o amor faz sentido, quando tudo deixa de ser um sonho e num sopro acordo com o amor ali… Espero até que o ultimo dia me roube o sonho, o único que tenho, o único dos sonhos…
Calaram-se as letras, abriram-se paginas, agitaram-se ideologias. No coração de quem sentiu, fica um vazio cheio de grandes coisas, ditas pela ponta dos dedos num pedaço de papel. Na voz de um menino da Azinhaga, ouvia-se a pureza de um coração sentido, cristalino como a água que banha a ilha do seu refugio. Ouvia-se um grito no deserto de vozes dissidentes, simplesmente porque a voz não pode ficar calada. No gesto de vazar a agua do mar a balde furado, de cobrir o sol com uma peneira nas mãos mal cuidadas do sabujo, teu reflexo de luta contra uma classe privilegiada que era a tua, valeu-te o carinho e o amor de quem a tua voz abafada tudo ouvia, valeu o sentimento profundo do teu dever cumprido perante um povo que te deixou ir para “A Casa”, onde letra a letra fizeste dos leigos sabedores das hipocrisias de um mundo decadente, espicaças-te ideologias de quem se diz dono da razão, tiraste o altar a santos do céu para arderem no inferno. Tua voz tão transparente, era dita de sabedoria, ...
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